Trabalham em andares diferentes. Não tem muito tempo que se conheceram, mas ele vai pedi-la em casamento. Ela vai aceitar.
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Todos os dias após o expediente ele passa no hospital. Para visitar o filho. Ele está muito doente, os médicos não sabem o porquê.
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Ela deixou o emprego porque se apaixonou. Trabalhava para ele. Vão viajar muito por aí, e depois ele vai trabalhar para ela.
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Era câncer, hoje não mais. Vai abrir uma pousada, bem longe daqui. Ela já está lá, bem longe daqui.
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A separação foi tumultuada, o ex-marido não foi muito legal. Mas conheceu um outro moço. Moram juntos, ela está feliz.
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Namoravam, terminaram. Seguiram suas vidas, tiveram filhos, separaram-se. E resolveram namorar de novo.
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Ele dirigia o carro quando houve o acidente. A filha morreu. Assim como o seu sorriso, tímido, impreciso.
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Tem uma intensidade comovente em cada história que se escreve aqui, ao meu lado.
*For the english version, click here
Nada é mais rápido pra emocionar, inspirar e grudar igual chiclete que nem música. Em três minutos ou menos você já está sugado no mundo, na atmosfera, na história que aquela canção transmite e assim que ela chega ao fim ela passa a fazer parte da sua história.
Aqui estão algumas canções e histórias que marcaram a minha cobertura do South By Southwest semana passada em Austin, TX. Estive por lá a convite do Programa Alto Falante, você pode conferir as matérias no www.programaaltofalante.com.br e a partir da semana que vem na TV Cultura.
#1 Sem Nome - Dan Deacon à capela acompanhado por 30 + pessoas.
3 da manhã. Coreto do campus da Universidade do Texas. Cerca de 30 universitários esperando por um show secreto do ídolo indie Dan Deacon, duas horas depois do seu show oficial no SXSW. Ele chega e pede pra todo mundo sentar em torno dele, parecia uma espécie de guru nerd da nova contra-cultura. Cercado por calor humano, ele pede pra todos o acompanharem numa série de sons excêntricos. Uma composição de música eletrônica à capela. Ao final da música, ele levanta e começa um monólogo sobre cristais formados por mijo de policiais nazistas, o órgão genital do Gandalf e do Homem-Aranha e polvos fumadores de haxixe. Tenho tudo gravado em fita, se alguém duvidar.
#2 Walk on the Wild Side - Lou Reed e Moby.
Tributo ao Lou Reed. Várias bandas tocando músicas suas e do Velvet Underground. Eu olho pro lado do palco e vejo o Lou Reed em pessoa tirando fotos de toda a apresentação. Eu tava com uma camisa do Madball, legendária banda de hardcore de NY e pelo visto ele deve ser fã, porque ele tirou uma foto minha, enquanto tirava uma foto dele. A canção mais icônica de NY na fase pré-punk tinha que ter sido tocada por ele mesmo. O Sr. Reed sobe no palco e começa a tocar Walk on the Wild Side na companhia do Moby. Não que ele precisasse de companhia pra essa ocasião. No fim do show, emocionado, ele chega no microfone e grita: "EU AMO PUNK. E EU FUI O PRIMEIRO, PORRA!"
#3 Rollercoaster – Kimya Dawson
“My rollercoaster got the biggest ups and downs as long as it keeps going it’s unbelievable.” É assim que se encerra essa doce composição de Kimya Dawson, mais conhecida pelas suas músicas no filme JUNO. E também se aplica à uma característica desse festival, dos momentos inesperados, como quando estávamos tomando café e conhecemos a própria Kimya que nos chamou pra um show secreto dela em um parque da cidade.
#4 My Banners - Tree Wave
Esta música em si nem é tão importante quanto o movimento que ela representa: o 8 bit. Um grupo de pessoas obcecadas em transformar Gameboys, Commodores e até impressoras em instrumentos musicais. Foi a demonstração mais sincera de amor pela musica em todo o evento. Você vê que eles não estão lá por nada mais que transformar barulhinhos de videogame em harmonias dançantes.
5 Highway to Hell - Wing.
Primeiro vá ao www.wingtunes.com e depois leia.
Eu e um amigo Vince Montelongo já somos fãs dessa cantora Chinesa radicada na Nova Zelândia há alguns anos. E ele me disse uma coisa que me marcou durante o show: “As pessoas estão assistindo ela como se fosse uma piada e não como uma genuína representante da música outsider como deveriam a ver.” Isso bateu forte no meu cérebro e ao ouvir Highway to Hell percebi como, meio que sem querer, ela desconstrói os mitos do rock com sua voz esganiçada.
Agora toda vez que ouvir uma dessas cinco músicas, essas são as memórias que estarão para sempre atreladas a elas.
D.
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A Mother, agência independente inglesa, lançou uma revista em quadrinhos. Não se trata - a princípio - de um projeto de Branded Content.
A sacada, por mais marqueteira que possa ser, é que "como eles vão propor projetos mirabolantes para os clientes se a própria agência não arrisca?".
O interessante é que a HQ será encartada na Time Out, revista de dicas culturais inglesa. A Mother fechou alguns acordos de permuta/escambo com clientes com os quais ela gostaria de trabalhar mas que não tinham orçamento para bancá-la. A Time Out pagou em páginas e dois anos depois a agência tinha espaço suficiente para lançar o quadrinho.
É uma alquimia de:
práticas antigas (permuta, job) com práticas pouco utilizadas em nosso mercado (arriscar, investir em conteúdo próprio, criar produto).
Ótima dica do Nasi.
A Mother será tema da Revista da Criação de maio. Mas tem um post super legal da Regina Augusto sobre a agência aqui.







