Li atentamente a matéria do Segundo Caderno de O Globo do dia 28/8 que falava sobre o cinema brasileiro. O título é "A Crise dos 6,9%", e o subtítulo é "Especialistas discutem o que fazer para que o cinema nacional volte a ter público".
Enquanto isso, no Planeta Terra, o cinema mundial grande ou pequeno discute, arrisca e tenta se apropriar e entender a revolução que o digital está causando há pelo menos oito anos quando o Napster foi criado. E um fato relevante e bastante engraçado é que a internet, na matéria, é tratada como um "fenômeno". Sim, um evento, como uma chuva de granizo ou o arco-íris. Isso com os números da internet já dando surra na TV à cabo e ela já estar com mais de dez anos no Brasil.
Vale-cultura, subsídios, cotas, falta de salas de cinema etc. As mesmas lágrimas de sempre, declaradas pelas mesmas pessoas de sempre, dos players de sempre de uma indústria (?) cheia de buracos negros e muita, mas muita nebulosidade.
Aí, eu me pergunto e pergunto para amigos que trabalham com cinema quando é que isso vai acabar. Quando que os chorões de sempre vão sair do palco para deixar as pessoas mais preparadas para o novo ou vão entender que sem meritocraria não vão a lugar nenhum.
"Ah, mas quem é você para falar alguma coisa. Dar pitaco é fácil..." pode estar dizendo o único leitor deste blog. Mas eu fiquei dois anos desbravando o mercado brasileiro de cinema em busca de oportunidades de product placement e branded entertainment com produtoras e indo em agências para vender o peixe. E depois de um ano, dois cases e muita, muita dor de cabeça. Disso eu falo na parte dois.
Alvo preferencial de muitos, o governo, surpreende na matéria:
Sérgio Sá Leitão, diretor da Ancine, garante que a agência está “extremamente preocupada” com a situação.
— O modelo chegou ao esgotamento. Temos que favorecer o desenvolvimento do mercado, valorizar a meritocracia, a performance anterior, o fato de o filme já ter distribuidora. O Breno Silveira fez “2 filhos de Francisco”, que gerou emprego e satisfez o público. Quando terminou, foi para o fim da fila. É como se ter feito um sucesso contribuísse muito pouco para o que vai acontecer depois — critica.
Pois é. MERITOCRACIA. Queria realmente ver qualquer um dos produtores da matéria trabalhar com risco vinculado ao resultado do filme ao invés do jogo ganho de sempre.
Ou eles podiam gastar um pouco do dinheiro que eles colocam no bolso via Leis de Incentivo para comprar um exemplar de Cultura da Convergência do Jenkins. Ou então, esperar mais um pouco para a versão brasileira que já está vindo em outubro. O dólar tá alto né pessoal? :)









about 18 hours later:
Bem, será que a gente tem uma nova geração de cineastas que pensa realmente diferente de quem está na crista ou teremos o mesmo molde “paneleiro” de sempre?
4 days later:
sincar o filme é uma boa primeira ação. rs
about 1 month later:
Esse post é simplista e preconceituoso. Não dá para o risco ser vinculado ao lucro porque não há fórmula de sucesso. No modelo atual o único produto com potencial de público é o blockbuster: um modelo que se auto-canibaliza.
Em 2007: “”No dia 4 de maio, este filme (‘Homem Aranha 3’) ocupou 869 telas de cinema, o que representa aproximadamente 42% do nosso mercado. O mesmo filme foi lançado nos Estados Unidos com 4.252 cópias, em um universo de 39.668 salas, o que equivale a aproximadamente 11% daquele mercado. Duas semanas depois, quando o filme ‘Piratas do Caribe 3’ estreou em 789 salas, os dois filmes juntos ocuparam mais de 70% das telas. Em seguida, ‘Shrek 3’ foi lançado com 705 cópias. Somente estes três títulos ocupavam mais de 80% do mercado brasileiro de salas de cinemas.”
Eles flopam lá e vêm lucrar aqui. Nem os filmes bons americanos a gente consegue ver no cinema mais, porque é forçado a levar homem-aranha 3 goela abaixo à 20 reais. E dos três filmes citados, dois são muito ruins e um é passável. O problema é a distribuição.
Pensar o novo não é fazer micro-série e site do Shrek, ou passar longa-metragem em celular. Muito menos fazer, num longa, um close-up de um ator tomando um guaraná e falando que está uma delícia. Essas são soluções para a publicidade, mas problemas para o cinema, que é uma ARTE. Parar de pagar pau pra modelão americano e aprender com eles o que eles tem de bom, o “storytelling”, podem ser caminhos.